segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Bem aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.

Quando eu li este versículo hoje, eu orei, perguntando a Deus como está o meu coração. Eu me lebrei de versículos semelhates, como aquele que diz: “Quem subirá ao monte do Senhor? Aquele que tem mãos limpas e coração puro”. Eu pedi a Deus um lavar do meu coração, primeiramente com o sangue de Jesus. E a purificação com a água do Espírito e com a Palavra de Deus.

A Palavra de Deus no coração também é simbolizada pela semente na Parábola do Semeador. A semente, para germinar, precisa de 3 condições. A primeira, é permanecer no solo. Na parábola, a semente que cai à beira do caminho é removida pela ave, que representa o diabo. A outra condição é que ela tenha espaço e profundidade para criar raízes. Um solo pedregoso prejudica esta condição. A terceira e última, é que haja espaço para a a planta crescer. Os espinhos, neste sentido, são o empecilho apresentado por Jesus na parábola.
Como está o nosso coração hoje? Quais são as pedras e espinhos que impedem o crescimento. Estes empecilhos, trocando em miúdos, podem representar ansiedades, angústicas, medo, falta de perdão, paixões mundanas, prazeres da carne, ambições materialistas, entre muitos outros. Muitos “solos” estão entulhados dessas coisas.
Quando penso nisso, me vem à mente a imagem de um terreno baldio. Nada pior para uma boa semente: geralmente ele é cheio de pedras, lixo, entulho, ervas daninhas... Esse tipo de terreno não apenas atrapalha o crescimento da semente, mas também atrai as aves de rapina, os ratos, as baratas, focos de mosquitos,sem contar o lixo jogado. “Um abismo gera outro abismo”. Esse tipo de terreno não atrai coisas boas, mas ruins.
Como está o meu coração hoje? Eu penso que os tempos modernos, com toda a correria que eles nos impõe e a atmosfera saturada de estresse e ansiedade, são propícios para o “coração entulhado”. É necessário colocar-nos diante de Deus, com sinceridade e coragem para que ele revele a nós a real condição de nossos corações. Quais são as pedras e os espinhos que precisam ser removidos?
Tratar do solo do nosso coração deve ser a nossa tarefa primária. A Bíblia ensina isso: “de tudo o que se deve guarda, guarde primeiro o seu coração, pois dele procede as veredas da vida”. Antes de nos preocuparmos em tirar as pedras do ministério, ou arrancar os espinhos da igreja, ou ainda, do cisco no olho de nosso irmão, devemo, primeiro, fazer um tratamento da nossa própria terra, para que a semente possa encontrar espaço, crescer e dar o seu fruto. Aí, um aroma, não mais do entulho de outrora, mas de um solo limpo, com uma plantação de arvores viçosas, inundará a vizinhança, e seus frutos servirão de alimento para muitos.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

24-7

Enfim, consegui dar uma parada pra falar da semana em que o Alfa e Omega Rio orou 24-7, ou seja, 24hs por dia durante uma semana.
Em uma casa especialmente decorada para esse fim, os estudanes se revezaram, aleatoriamente, para orar (no caso dos missionários, havia uma escala).
A oração, no conceito 24-7, é bem mais do que o uso de palavras, para conversar com Deus. Cada um é livre para expressar-se com os dons que Ele deu: escrevendo, pintando, esculpindo, enfim, com todas as formas de arte. E também, com as mais diferentes formas de expressão: falando, cantando ou apenas ficando em silêncio contemplativo.
Haviam também muitos recursos para edificação, como devocionais, livros, cd's, etc. A casa, também, era, em si, um recurso. Havia espaço para tudo: para tempo a sós, oração em grupo, para descansar ou dormir, para cozinhar e comer, e, é claro, para intergir, ter comunhão.
O ambiente era convidativo à oração. Entrando na casa, não dava mais vontade de sair. Talvez, por esse motivo, o grupo ia crescendo a cada dia. No último, mais de 50 pessoas passaram a madrugada na casa!
O 24-7 serviu para que os estudantes experimentassem o quão importante é a oração, pelo simples fato de estarmos com Deus - e não apenas pelos resultados que ela trás. E também, ajudou a construir uma motivação no grupo para algo tão fundamental em nosso movimento. Agora, que inicia-se mais um período de colheita dos campi, sinto que estamos mais prontos a corresponder ao chamado constante de Deus para estar com Ele em oração.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Seguir Jesus é...

Como você completaria esta frase? Até recentemente, eu diria coisas como "andar em santidade", "amar as pessoas", "buscar em primeiro lugar o Reino de Deus", entre outras coisas. Todas corretas, a propósito. Mas hoje, acrescentaria uma a mais: interagiria mais, com as pessoas ao meu redor.
A primeira vista pode parecer um conceito redundande, fraco. Mas isso porque temos uma idéia Joaniana do que significa "interação". Ora, João Batista pregou, influenciou, impactou vidas e representou uma ameaça para muitos. Representou também um exemplo a ser seguido por outros. E o foi. Ele tinha um ministério que transformou a vida de muitos. Tudo isso. Mas uma coisa que não podemos relacionar a João é o conceito de interação.
Àquele que era maior que João Batista, àquele que era a razão de seu ministério, ou seja, a Jesus, a esse, sim, podemos atribuir o melhor exemplo de inserção à cultura de sua geração, e uma interação com as pessoas ao seu redor.
Jesus estava em todos os tipos de lugares e interagiu com todos os tipos de pessoas. Foi chamado, por isso, de amigo de publicanos e pecadores.
Jesus escandalizou por seu comportamento, causado justamente pelo seu objetivo de estar junto daqueles a quem veio salvar. Diferente de João Batista, ele andou com eles, comeu e bebeu com eles (a propósito, o mesmo tipo de comida e bebida, ao invés de iguarias exóticas, como gafanhoto com mel...), tocou neles, foi às suas festas, às suas casas, se deixou ser tocado por mulheres - uma, inclusive, com fluxo de sangue. Passou por Samaria. Conversou com uma samaritana (foi ele quem puxou a conversa). Dormiu na casa de samaritanos!
Jesus curou, pregou, andou e ordenou seus discípulos a colherem espigas no sábado.
Ele comeu sem lavar as mãos. Deixou que uma mulher de moral duvidosa lavasse seus pés e secasse com seus cabelos. Permitiu que outra desperdiçasse um vaso de perfume caro apenas para ungi-lo.
Sem dúvida nenhuma, Jesus era um escândalo! A tal ponto que o próprio João chegou a duvidar se era ele mesmo o Messias. E os fariseus... bem, esses então... chegaram a acusá-lo de ter demônios!
Essa reflexão é decorrente do que foi discutido no Congresso "Interação +", que aconteceu neste feriado, em Resende - RJ. Em boa parte, da oficina do Gil, diretor nacional do Alfa e Omega.
É impossível descrever aqui tudo o que Deus tem nos ensinado nestes dias. Mas posso dizer que temos sido duramente confrontados com o fato de que, provavelmente na maioria das vezes, somos muito mais parecidos com seguidores de João Batista do que de Jesus. Afinal, não é assim? Queremos comer diferente, falar diferente, nos vestir diferente, porque essa é a nossa idéia de espiritualidade e de separação das "contaminações do mundo". Nos afastamos das pessoas, nos retiramos para o nosso "deserto" limpo e desinfetado das nossas igrejas. Acreditamos que é lá onde realmente desempenhamos o nosso ministério, e podemos ser "a voz do que clama no deserto", onde as pessoas vêm até nós para ouvir a nossa mensagem.
Temos medo de nos contaminarmos com o mundo. Por isso recusamos tantos convites para ir a festas de casamento onde têm vinho; comer em casa de "pecadores" e corrúptos; sermos tocados por pessoas de má fama; conversarmos com inimigos e perseguidores; estar em lugares reconhecidos como "impuros" e sermos amigos de pessoas "impuras". Não queremos escandalizar os "escandalizáveis", enquanto deixamos que doentes morram porque nos recusamos a andar entre eles.
Queremos ser "verdadeiros seguidores de Cristo". Esta frase, que faz parte de nossa declaração de missão, hoje tem um novo significado para mim. E, assim penso, um novo significado para os cerca de 230 participantes de nosso Congresso em Resende.
Queremos crescer nesta visão, e queremos crescer juntos. Afinal, temos aprendido também o quão importante é, neste processo, o fortalecimento de nossos vínculos com o Reino de Deus. Afinal, precisamos um dos outros para nos ajudar e socorrer, em caso de real contaminação. E também para representar bem o Reino que proclamamos. Penso que se alguém não tem este vínculo, é melhor que seja realmente como João Batista.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Será que tem algo mais importante do que Cristo na sua vida?

O jovem aproximou-se do Mestre e perguntou: o que posso fazer pra herdar a vida eterna?

Jesus perguntou se ele conhecia os mandamentos e o jovem respondeu que sim e que os obedecia desde a sua adolescência.

Jesus respondeu: falta uma coisinha: vai, vende tudo o que você tem, dê aos pobres, e, depois, venha e segue-me.

Aquela palavra foi um murro no estômago do rapaz. Ele deu meia volta e saiu triste porque era muito rico.

Puxa, que duro da parte de Jesus! Pouco depois, ele encontra-se com Zaquel, aquele cobrador de impostos que não valia nada perto do jovem rico. O que foi que ele disse? Vou dar metade do que tenho aos pobres e, se extorqui alguém, retribuir em quádruplo. E o que foi que Jesus respondeu? Hoje houve salvação nesta casa!

Ora, a um, Jesus mandou vender tudo. Outro, disse que ia dar metade, e isso bastou pra Jesus. Parece injusto, não é?

Se a gente comparar essas duas histórias, veremos que a questão aqui não era o quanto de riquezas se deveria vender pra ser salvo. Na verdade, não tem nada a ver com isso.

O jovem da história tinha um problema para se tornar um seguidor de Jesus, e Jesus, em amor (o texto diz que Ele “o amou”) quis corrigir esse problema. E foi muito preciso nisso

O problema do jovem é que ele estava disposto a dexar tudo pra seguir Jesus: não ter outros deuses, não praticar idolatria, honrar pai e mãe... enfim, obedecer todos os 10 mandamentos, se fosse preciso. Qualqur coisa que Jesus pedisse... menos uma. Havia uma coisa que era maior do que seguir a Cristo. Na verdade, havia uma coisa maior do que o próprio Jesus. E acho que ele ficou decepcionado, porque essa coisa nem mesmo estava na Lei! Mas que importa? Revelou-se maior que o Mestre. Valiosa demais. Ele queria a salvação, mas percebeu que já tinha algo que, no fundo, valia mais que ela. Ora, quem vai almejar uma coisa, se já tem outra de maior valor?

Aquele jovem saiu dali triste, porque ele realmente queria seguir Jesus. Mas havia algo que o impediria de fazer isso. A Bíblia não diz isso, mas eu acredito que aquele jovem ficou matutando naquilo durante muito tempo. Acho que ele não sossegou até que se arrependesse. Não posso dizer que ele se arrependeu, mas quero acreditar nisso, com base no que Jesus disse: “muitos últimos serão primeiros, e muitos primeiros serão últimos” – seguido de uma parábola que ressalta este princípio.

Acredito que Jesus fez um tratamento cirúrgico naquele jovem. Afinal, bastava dizer: “quem quiser ser meu discípulo, negue-se a sim mesmo...”. Não é o mesmo princípio? Mas Jesus o amou tanto, que ensinou o mesmo princípio de forma aplicada, exclusiva à situação do rapaz. Ele jamais poderá reclamar de ter tido um tratamento tão personalizado. Minha pergunta é: e eu, poderei reclamar?

Existe alguma coisa na minha vida que vale mais do que minha salvação? Ou, melhor, que vale mais do que Jesus?

Não quero confundir nenhum leitor que tenha certeza de sua salvação. Seguir a Jesus, e ser salvo, no contexto desta passagem, são duas coisas muito relacionadas. Mas sabemos, pelo principio do "negar-se a si mesmo" citado acima, que discipulado e seguir a Jesus, da mesma forma, estão diretamente relacionados. Na verdade, é quase a mesma coisa.

O que eu quero dizer com isso? Veja: na vida do jovem havia relamente alguma coisa que revelou-se mais valiosa que Jesus, e esta coisa o impediu de seguir Jesus. Da mesma forma, me parece que, se existe algo em minha vida que eu tenha como superior a Cristo, meu discipulado é interrompido!

A pergunta que Jesus fez para ele não era se ele estava ou não disposto a vender tudo o que tinha, mas o que, afinal das contas, era mais importante em sua vida. Jesus fez um teste que ele tinha que escolher entre uma coisa que ele queria muito e uma coisa que ele amava muito. Sua reação identificou o que era o que. O resultado: foi reprovado (pelo menos naquele momento).

Quem você ama realmente? “Ame o Senhor acima de todas as coisas e o seu próximo como a ti mesmo”. Por traz da ordem de vender tudo e distribuir aos pobre como condição para segui-lo, não estava este mesmo princípio?

Apartir daqui eu poderia tomar um rumo diferente nesta meditação, e falar do evangelho errado que tem sido pregado que prega justamente o contrário, ou seja, o não negar seus sonhos, desejos, amores... Mas seria leviano demais da minha parte, sabendo que este é um assunto que diz respeito primeiro a mim.

Como eu disse anteriormente, o jovem não terá razões para reclamar de não ter sido confrontado por Jesus. Pensando bem, acho que eu também não tenho. É só pensar nas mais diferentes situações que Deus me permite passar, como provações e decisões difíceis que preciso tomar. É nesses momentos da vida que, em todo o tempo, demonstro, sem usar uma única palavra, quem, realmente, tem mais importância em minha vida.

O meu desejo é que eu seja um verdadeiro seguidor de Cristo e que as minhas escolhas diárias confirmem minhas palavras. Mas também não custa nada perguntar devez em quando: "Senhor, existe algo em minha vida que tenho colocado à Sua frente?"

Que Deus nos abençoe!

[As passagens comentadas estão nestes textos: Mt 19.16-30;20.1-16; Mc 10.17-29; Lc 18.18-29;Lc 19.1-9]

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pequenos e grandes eventos

Assim como foi nos dias de Noé, também será nos dias do Filho do Homem. O povo vivia comendo, bebendo, casando-se e sendo dado em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca.”

Eu estava lendo o capítulo 17 de Lucas. Quando cheguei nos versículos 26 e 27, eu travei.

Me tocou profundamente o fato de que a atitude de um único homem mudou a rotina de todas as pessoas.

Elas estavam comendo, bebendo e casando-se – atividades normais da vida. Quando Noé entrou na arca, não houve fogos e nem uma cobertura global do “evento”. Eu imagino que foi um passo que passou desapercebido para a maioria das pessoas. Mas esse passo alterou para sempre suas vidas.

Da mesma forma, no fim dos tempos, um único evento interromperá um rotina que faz parte de nossas vidas desde que a humanidade é humanidade.

Hoje, comemos, bebemos e nos casamos. Essas coisas são necessárias e até desejáveis. Mas, naquele dia, o que fará diferença não é o quanto bebemos, comemos, ou se nos casamos ou não. Mas se cremos e conhecemos Aquele que virá. Da mesma forma como, nos dias de Noé, o destino de toda aquela gente foi selada pela rejeição ao convite de entrar na Arca.

Isso nos leva a refletir – a nós, que entramos na “arca” do evangelho – sobre o nosso papel diante deste iminente dia. Fico pensando nos poucos que entraram com Noé. Será que eles criam na sua mensagem ou só entraram porque eram seus parentes? Se criam, eu imagino que eles o ajudaram a convidar o povo a entrar na arca. Eu, pelo menos, não deixaria Noé sozinho, ao menos que este me impedisse (e não acredito que ele faria isso).

Será que a apatia dos crentes em relação ao mundo perdido e à iminente ira vindoura, no fundo, não demonstra alguma falta de fé em relação ao próprio evangelho que dizemos crer?

Devemos viver a vida: comer, beber, nos casar... mas devemos nos lembrar que essas coisas fazem parte daquele grupo de atividades que cessarão naquele dia. Existe um anelo em nossos corações que vai além dessas coisas e que está relacionado àquele “evento” que interromperá nossas vidas? Eu acredito que viver para Cristo e obedecer à sua comissão (de fazer discípulos de todas as nações) são as coisas que estão diretamente relacionadas a isso.

O poder de uma atitude

Quando estava compartilhando essas coisas com a minha esposa, me dei conta de mais um detalhe. Estamos falando aqui de eventos grandes como o Dilúvio e a vinda de Cristo. Mas eu creio que, em uma perspectiva menor, nossas atitudes como filhos de Deus, podem não só influenciar, mas também mudar mesmo a rotina de vida de muitas pessoas. Por exemplo, uma simples oração em nosso quarto, que é um “evento” que ninguém vê, pode mudar a situação de uma família ou de uma cidade inteira.

Quando continuei lendo a passagem, vi que Jesus cita também o exemplo de Ló. Ele diz que assim que Ló saiu da cidade, Sodoma e Gomorra foram destruídas. Mais uma vez, o destino de uma cidade inteira estava relacionado à atitude de um único homem. Mas tem aí um detalhe que não é citado nesta passagem: antes, Abraão intercedeu por Ló e sua família.

Mais uma vez: será que aquele momento de Abraão com Deus foi relatado nos jornais de Sodoma e Gomorra? Eu tenho certeza que não.

Por isso, gostaria de finalizar este texto falando a todos os cristãos, mas, em especial, aqueles que intercedem: ao orar ou fazer qualquer outra coisa que o Senhor nos peça, tenhamos a perspectiva de quem é Aquele diante de quem nos colocamos e obedecemos. Nossa atitude pode parecer pequena, mas pode mudar uma cidade. Pode mudar uma nação! Creiamos nisso!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O Evangelho

Eis que as trevas cobrem a terra

Watchman Nee

Apesar das palavras deste artigo terem sido proferidas há mais de 50 anos atrás,
parecem descrever com precisão a situação espiritual dos nossos dias!

A luta hoje parece se tornar mais pesada dia a dia, como se o único alvo dos ataques de Satanás fosse nós, os crentes. Por isso, na era atual, o problema que existe é se você e eu podemos perseverar até a última meia hora. "[Satanás] Magoará os santos do Altíssimo" (Dn 7.25). Magoar tem aí o sentido de "desgastar", consumir devagar. É muito mais difícil reconhecer Satanás como aquele que desgasta os santos do que um Satanás que ruge como um leão. E a sua obra de consumir lentamente os santos já começou.

Sempre que vou à Montanha Kuling, caminho ao longo da correnteza que há ali. Freqüentemente vejo rochas enormes, mas que são côncavas no meio como bacias de tomar banho. Isto acontece por causa das muitas pedrinhas que diariamente as desgastam. Do mesmo modo Satanás trata os filhos de Deus. Em lugar de matá-los de um só golpe, tenta desgastar os santos, dia a dia, de modo que sem que percebam acabam gravemente feridos depois de algum tempo.

Os olhos do Senhor estão sobre nós, portanto não temamos o sofrimento. Se acontecer de nós nos desviarmos com medo do sofrimento, todos os nossos sofrimentos do passado terão sido em vão. Uma pessoa profundamente espiritual escreveu certa vez:

Quando lemos 2 Tessalonicenses 2.3 e 2 Timóteo 3.1-13, ficamos sabendo que antes do dia da volta do Senhor haverá apostasia e dias perigosos quando a maldade e a mentira aumentarão grandemente. Tal apostasia não se refere à educação, gigantescas reuniões, pastores capazes, catedrais maravilhosas e progresso mental e físico. Relaciona-se com a fé e o reconhecimento do poder de Deus. Aponta para igrejas renomadas que se inclinam para a chamada Alta Crítica (na verdade não passa de incredulidade), e negam as obras sobrenaturais de Deus, tais como a regeneração, a santidade, orações atendidas e a revelação do Espírito Santo.

Antes da vinda do Senhor, haverá muita fraude e muito erro; e, se fosse possível, até os escolhidos seriam enganados. A "forma da piedade" será aumentada. A fé será diminuída por causa de credos falsos, engendrados por Satanás, e também o amor pelo mundo e a negação da palavra de Deus. Um irmão disse bem: tais obras satânicas produzirão um efeito intangível que nos envolverão como o ar. Haverá uma forma de piedade exterior, mas por dentro estará cheia de maus espíritos e da melancolia do inferno. Esses espíritos malignos farão o máximo para desviar e oprimir os filhos de Deus. Atacarão nosso corpo, diminuirão nossa vontade e embrutecerão nossa mente. Toda espécie de sensações e provações estranhas nos sobrevirão, fazendo-nos perder o desejo de buscar a Deus e a força de fazê-lo, cansando nosso espírito, embotando nossa mente e tornando-a entorpecida e, ao mesmo tempo, fazendo-nos estranhamente amar os prazeres e costumes do mundo como também cobiçar as coisas proibidas por Deus. Perderemos a liberdade e o poder de pregar; não poderemos nos concentrar para ouvir as mensagens; e seremos incapazes de nos ajoelhar para orar dedicadamente por algum período mais longo. Tais trevas e tal atmosfera deverão ser enfrentadas com resolução. Sem dúvida Satanás procura obscurecer nossa mente e vontade com uma espécie de poder inconcebível para que se torne extremamente difícil andar com Deus e muito fácil viver de acordo com a carne. Acharemos que é difícil servir a Deus fielmente e orar com perseverança, como se tudo dentro de nós se levantasse para impedir-nos de seguir o Senhor Jesus até o fim e fazer-nos concordar com o mundo.

A atmosfera à nossa volta nos obrigará a trair a Deus e a desistir de nossas sinceras orações. Embotará nossa sensibilidade espiritual para que não vejamos as realidades celestiais ou a gloriosa presença do Senhor. Assim facilmente negligenciaremos a comunhão com Deus e descobriremos que é difícil manter comunhão com ele.

Já estamos sentindo o começo destas influências. A concupiscência do mundo tece sua rede extensa de muitas maneiras à volta dos crentes. Torna-se cada vez mais apertada e mais forte com o passar do tempo. Muitas coisas que nas gerações passadas eram inimagináveis agora estão sendo praticadas sem restrição. Muitos lugares de adoração não só resistem à entrada de coisas espirituais, bloqueando reavivamentos, mas também introduzem toda espécie de festejos e coisas duvidosas.

Falando de um modo geral, em todo o mundo, a diminuição da fé e o desenvolvimento da apostasia são evidentes. Naturalmente, reconhecemos que ainda há muitos lugares abençoados por Deus. Mas examinando a situação da igreja no mundo inteiro como um todo, não deixa de apresentar um quadro digno de dó.

Tendo visto estas coisas, não podemos deixar de gritar à igreja de Deus que se levante, que desperte, que retorne à comunhão com Deus e que agrade ao Senhor no tempo que ainda resta. Estejamos preparados para comparecer diante do tribunal de Cristo e apresentar o nosso caso.


( Revista Impacto - edição setembro/outubro - 2000 )